Sábado, 12 de Novembro de 2011

Breve

Não sendo pessoa de tensões altas e sim baixas (bastante baixas), não posso invocá-las para explicar porque subitamente deixei de ligar a televisão e ver as notícias. Por isso terei de usar como desculpa o meu eczema de reacção nervosa (se é que isso existe), que me contamina o pulso direito de vez em quando e o deixa em carne viva, para justificar o porquê de andar a leste das bocas e escritas. Mas sinceramente, o eczema até fica feio e pouco sedutor, mas tenho de dizer que estou secretamente a torcer para que o país, a UE, o Euro e a crise se fodam todos de uma vez. Só para ver o que acontece ao meu impaciente espírito que já não consegue aguentar mais desculpas estúpidas para salvar um doente que está em fase terminal há uns 5 anos (ou terei de dizer 10?), sem qualquer possibilidade de recuperação mas a quem se continuam a prestar cuidados paliativos que de paliativos nada têm porque só causam mais desgraça. E dito isto, concluo que a melhor parte dos meus dias tem sido ouvir repetidamente dizer que a minha cidade é uma cidade do caraças, bonita, das mais bonitas que já viram. E isto por si só faz-me ganhar o dia, porque sei que um dia alguém se lembrará de zelar pela única coisa que ainda resta de decente neste jardim de mediocridade: o património cultural (quer dizer, diz por aí que à custa da construção de uma barragem planeada claramente por pessoas com trissomia 21, podemos perder o estatuto de património mundial da Humanidade dado ao Douro, mas quero pensar que não descemos tão baixo na merda).

Mas, e porque já começo a sentir vontade de coçar o pulso (maldito eczema), devo dizer que este momento me permitiu abrir os horizontes terapêuticos do indie: aquilo tocado por guitarras agudas, com sininhos, pandeiretas, vozes em coro também elas agudas e letras sobre nada em particular. É uma óptima forma de fazer de conta que a vossa vida é um filme em tons dourados do sol do Outono, em que vos apetece de facto sorrir com qualquer coisa e não existe realidade nem notícias nem medíocres a passearem-se pelos corredores do poder (expressão sempre tão linda). Aqui vos deixo.

p.s – o meu novo ódio vai virar-se para as traduções automáticas dos títulos das canções feitas pelo youtube.

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Mudam-se os corredores


Não se mudam as vontades.

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Boas notícias


Para o Porto! A cidade cada vez mais a dar nas vistas fora de Portugal, usando também a forma como a noite ganhou uma vida totalmente nova e diferente com sítios para todos os gostos e feitios.

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

(...) assim como as fadas só têm existência na fantasia de gente ignorante, que se alimenta das tradições contadas pelas velhas ou pelos antigas poetas, também o poder espiritual do Papa (fora dos limites do seu próprio domínio civil) consiste apenas no medo, em que se encontra o povo seduzido, de ser excomungado, por ouvir os falsos milagres, as falsas tradições e as falsas interpretações das Escrituras.

in, Leviatã, Thomas Hobbes

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

As medidas anunciadas pelo querido executivo deste país a cada dia ganham contornos mais surreais e hilariantes (até me riria se não fosse tão trágico). Que alguém nos salve por favor!

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Um dia estes tempos irão aparecer nos livros de história como o dia em que o mundo enlouqueceu. Certamente, que serão os dias em que Portugal enlouqueceu, com a sua população à espera de um D. Sebastião que seja capaz de os tirar da miséria patética em que vivem (nas carteiras, nas mentalidades, nas leis, nas políticas, nas pessoas e gentinhas). Restam assim os livros e os filmes para fazer de conta que um dia alguma coisa dessas irá servir para alguma coisa.
Haveria de existir um dia em que deixasse de ver as notícias (ainda não foi desta), e em que tudo parecesse normal pelas caras das pessoas, como são as caras que se vão vendo aqui e ali (e as conversas em todo o lado prometem muito, mas depois não terminam em nada) e a cada dia que passa, cada vez mais vou gostando dos espanhóis.