terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Eu achava incompreensível existirem pessoas que assistem ao Ídolos, mas depois apresentaram-me isto, e aí percebi que o Ídolos não é assim tão mau. Isto é dos conceitos mais estranhos e sem qualquer sentido que já encontrei. Ao menos o La Mouche já encontrou como escapar da crise!

Do email

Chegou-me hoje uma crónica que foi ontem publicada no Diário Económico e que se centra na mais recente polémica futebolística, a mesma que provou que eu sofro de problemas de visão por não conseguir detectar num magote de homens alguns que batem nos outros. Assim, aqui fica:

O génio criativo do nosso país ofereceu um novo desporto à Europa e ao mundo: o “tunebol”. Explico. Quando as duas equipas de futebol se encontram nos túneis que ligam os balneários ao relvado, após provocações de figuras contratadas para o efeito, inicia-se uma cena de pancada entre os jogadores.

O vencedor será aquele que não reagir e que, portanto, mais pontapés e murros levar. Convém lembrar que o "tunebol" está limitado aos clubes que lutam pelo título nacional. Ou seja, quem chegar a Dezembro/Janeiro em condições de ser campeão, participa no "mini-torneio" de "tunebol", para se clarificarem posições para a segunda metade da época. O campeão do "tunebol" ficará numa óptima situação para ganhar a liga.

De acordo com o seu estatuto de clube com mais títulos em Portugal, este ano o campeão do "tunebol" foi o Benfica. E não julguem que foi fácil. Exigiu muito trabalho e uma fina psicologia por parte de Jorge Jesus. Foi necessário repetir vezes sem conta, desde o início da época, aos seus jogadores: "se levarem um murro, dão a outra face para levarem um estalo". Imaginam o que deverá ter custado aos seus jogadores ouvirem, "se o Sapunaru te der um pontapé, vira a outra nádega para o Hulk te dar outro"; ou "se o Mossoró te der um estalo, dás a outra face para o Vandinho te dar um murro". E resultou.

Os jogadores do Benfica tornaram-se um exemplo de boa educação, de auto-controlo e de pacifismo. São já um exemplo para toda a Europa. Houve mesmo um jornal inglês que afirmou: a "Inglaterra deu o ‘greenpeace' ao mundo; e o Benfica deu o ‘redpeace'". Contaram-me que nas paredes do balneário, há cartazes do Dalai Lama por todo o lado. O presidente do Benfica estará a pensar convidá-lo para assistir ao jogo do título, para o apresentar como a grande inspiração da "nação pacifista". Já há mesmo quem diga que a única maneira do Sá Pinto e do Bruno Alves se emendarem é através de um estágio na Luz.

Mas o "tunebol" não se fica pelos provocadores e pelos jogadores; exige igualmente membros na Liga de Futebol com "olho de falcão", como se costuma dizer no nosso país. Pensam que é fácil olhar, através de gravações, para um molho de dez jogadores e vinte braços e perceber que foi o Hulk ou o Vandinho os únicos a agredirem. Experimentem ver as imagens e vejam se é fácil. Por fim, não há datas para terminar o mini-campeonato do "tunebol". Se um dos olhos de falcão voltar às imagens daqui a três meses e perceber que afinal o Helton, ou o Hugo Viana também agrediram, far-se-á então justiça. Nunca é tarde para punir quem bate. "Glorioso, glorioso, nos túneis és poderoso"; eis o novo grito das claques benfiquistas.


João Marques de Almeida, Professor Universitário

Efectivamente é assim que andamos, com mau futebol e assuntos de tapar as vistas. Só espero é que o Braga seja campeão!

É a minha vez de falar de Invictus

Partindo já para o filme com uma data de más críticas em cima e com outras positivas, confesso que tinha aquele preconceito em que esperamos encontrar toda as falhas para criticar também. Contudo, não é o pior filme de sempre ou algo que ande lá perto; não é também um filme típico de domingo à tarde, talvez de sábado à tarde ou de feríado. É um típico filme sobre o tema em questão: ultrapassar as barreiras da raça através de uma actividade que supera essas mesmas barreiras. Ou seja, obrigatoriamente o filme não poderia ser demasiado realista ou a mensagem não passaria, ficando-se num meio termo que às vezes ronda o completamente desnecessário e outras é apenas normal: seria impossível fazer de outra forma.

Quando à interpretação de Freamon não há nada a apontar, mas a escolha de Matt Damon parece bastante desadequada. Primeiro porque ele efectivamente tem sempre o olhar de quem tem um dispositivo de escuta escondido nas orelhas onde recebe informação do comando sobre como desmantelar a bomba e depois porque ele é muito mais pequeno do que todos os outros jogadores. Além de o cabelo loiro que lhe puseram estar muito próximo da água oxigenada.

Mas deixando de lado a caracterização e centrando-me na história, a do filme porque a que lhe dá origem não conheço em profundidade, parece que tudo foi filmado e escrito de um modo demasiado suave. Parece-me de facto impossível que um país acabado de sair do Apartheid, onde as marcas são visíveis ao ponto de actualmente ser branco na África do Sul ser parecido a andar com um alvo na testa, em que foram praticadas atrocidades que felizmente estão filmadas para memória futura, conseguisse unir-se de forma unânime em torno de um símbolo do racismo. O filme começa aliás com o pai de Damon, (e mesmo Damon, embora de forma muito mais suave), com atitudes e comentários racistas, sendo que cinco minutos depois já são todos amigos e sem ressentimentos entre si. E é provavelmente aqui que reside a parte má do filme: fugir demasiado aos factos para filmar a força de Mandela em unir todos os pretos e brancos da África do Sul. Aliás, o mesmo acontece com os que o rodeiam, que acham uma tontice ele estar a assistir aos jogos da selecção, ficando aliás bastante ofendidos, quando na cena seguinte estão a vibrar incondicionalmente com as jogadas.

Podia de facto ter sido feito melhor, muito melhor. Podiam-se ter cortado nas jogadas de râguebi para explorar melhor o ódio racial e as marcas que deixou, de modo a que nenhuma das partes parecesse pateta a mudar de opinião e posição em cerca de dois minutos. Mas a verdade é que de entre todos os filmes do género que já vi, provavelmente só América Proibida consegue fugir a estas situações que tornam um filme não tão bom.

P. S - relativamente ao ponto de vista positivo, creio que é essa a interpretação que se pode retirar o texto em questão.

Às vezes acontecem coisas estranhas nos lugares mais improváveis de todos. Neste caso, no Turco da Casa Assombrada (também conhecido como o Turco do túnel de Ceuta).
Três, um rapaz e duas raparigas, almoçamos enquanto temos por tema inevitável os exames. Daquelas alturas em que todos achamos que nunca vamos conseguir acabar nos quatros anos, que não sabemos o mestrado a tirar, a faculdade onde o fazer, se alguma vez teremos um estágio que seja minimamente decente e não num deserto completo no pior sítio possível.
Do outro lado da sala, e durante um momento de silêncio, percebemos que as outras duas raparigas e um rapaz que almoçavam também, falavam exactamente do mesmo que nós. Ou quase o mesmo, vá. De prazos de processos em que estavam a trabalhar, da firma do outro que tem quase 30 advogados só na área criminal, das idas ao tribunal. E quase tinha sido uma boa ideia perguntar quantas crises existenciais eles teriam tido ao longo dos idos cinco anos.
Onde estaremos daqui a 6 anos?

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Senhores, tenham medo, tenham muito medo

Eu sabia! A TVI fez uma mega reportagem sobre a tragédia que será/seria se um terramoto como o do Haiti atingisse Lisboa. Todo cheio de músicas fortes, vozes comovidas, a ideia de muita e muita gente a morrer no desastre, com imagens de Lisboa a puxar ao sentimento do nosso povo. Só não vi é quando é que vai ser transmitida, mas eles sabem mesmo como ocupar a nossa gente com os assuntos que interessam, especialmente se não as deixarem dormir uma noite que seja tranquilas e sossegadas com a sua vidinha.


Existe a possibilidade de a reportagem ser apenas sobre os efeitos nefastos de o benfica perder o campeonato para o porto, mais uma vez, depois de ter andado a cantar vitória antes do tempo! Vamos rezar, vamos rezar!

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Up in the air

Provavelmente a melhor forma de encarar o filme de Jason Reitman é dividi-lo em dois. Em duas partes: a primeira parte que aborda a profissão de Clooney, o executivo bem sucedido que ganha a vida a ser implacável a despedir pessoas sem pestanejar totalmente alheio ao facto de a pessoa que acabou de despedir ser de facto uma pessoa; e a segunda parte que nos deixa afinal com alguma esperança para aquele mesmo executivo bem-sucedido que descobre que as pessoas afinal precisam de laços humanos entre elas. Claro, a segunda parte é-lhe delicadamente ensinada por uma mulher, afinal quem mais poderia ter o equilíbrio entre o sentimental e o profissional? (é suposto isto ser encarado com alguma ironia) E na segunda parte quase temi que o filme fosse acabar numa aborrecida comédia romântica em que no fim temos de ter pena e gostar do senhor porque ele afinal tem sentimentos. Felizmente, o filme é realista e rebenta-nos na cara com o pior da natureza humana. E quase acabamos a ter pena de Clooney, não fosse logo a seguir voltar a memória da forma como ele ganha a sua vida.

E provavelmente é esse aspecto que faz ganhar o filme, embora seja porventura o que menos o torna num sucesso de bilheteiras. Perceber a rotina de entrar numa empresa, riscar nomes de uma lista e repetir as mesmas frases nos mesmos tempos a diferentes pessoas, fazer de conta que as coisas se vão resolver, ignorar as súplicas, ignorar que têm famílias, fazer de conta que não se ouve quando eles incrédulos argumentam que passaram grande parte das suas vidas naqueles trabalhos para serem dispensados por estranhos. (É de ficar com vontade de socar o ecrã) E assim se faz um retrato da idade moderna que vai deixar muitos desapercebidos porque é só um filme.

Já imaginaram o que é atingir o nosso maior objectivo na vida e perceber que é a coisa mais vazia que se pode atingir? Aí sim, senti pena de Clooney, por representar o pior das pessoas mesmo sem ter noção disso.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

O Tratado de Lisboa é provavelmente o documento que mais sofre de esquizofrenia que eu já li. Tem ao menos o dom de me deixar a rir com aquilo que promete e aquilo que a Europa vive actualmente.