Não sendo pessoa de tensões altas e sim baixas (bastante baixas), não posso invocá-las para explicar porque subitamente deixei de ligar a televisão e ver as notícias. Por isso terei de usar como desculpa o meu eczema de reacção nervosa (se é que isso existe), que me contamina o pulso direito de vez em quando e o deixa em carne viva, para justificar o porquê de andar a leste das bocas e escritas. Mas sinceramente, o eczema até fica feio e pouco sedutor, mas tenho de dizer que estou secretamente a torcer para que o país, a UE, o Euro e a crise se fodam todos de uma vez. Só para ver o que acontece ao meu impaciente espírito que já não consegue aguentar mais desculpas estúpidas para salvar um doente que está em fase terminal há uns 5 anos (ou terei de dizer 10?), sem qualquer possibilidade de recuperação mas a quem se continuam a prestar cuidados paliativos que de paliativos nada têm porque só causam mais desgraça. E dito isto, concluo que a melhor parte dos meus dias tem sido ouvir repetidamente dizer que a minha cidade é uma cidade do caraças, bonita, das mais bonitas que já viram. E isto por si só faz-me ganhar o dia, porque sei que um dia alguém se lembrará de zelar pela única coisa que ainda resta de decente neste jardim de mediocridade: o património cultural (quer dizer, diz por aí que à custa da construção de uma barragem planeada claramente por pessoas com trissomia 21, podemos perder o estatuto de património mundial da Humanidade dado ao Douro, mas quero pensar que não descemos tão baixo na merda).
Mas, e porque já começo a sentir vontade de coçar o pulso (maldito eczema), devo dizer que este momento me permitiu abrir os horizontes terapêuticos do indie: aquilo tocado por guitarras agudas, com sininhos, pandeiretas, vozes em coro também elas agudas e letras sobre nada em particular. É uma óptima forma de fazer de conta que a vossa vida é um filme em tons dourados do sol do Outono, em que vos apetece de facto sorrir com qualquer coisa e não existe realidade nem notícias nem medíocres a passearem-se pelos corredores do poder (expressão sempre tão linda). Aqui vos deixo.
p.s – o meu novo ódio vai virar-se para as traduções automáticas dos títulos das canções feitas pelo youtube.

